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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nem sempre o premio é atribuído a quem mais o merece...


"É muito melhor alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem nem gozam muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota." Abrahan Lincoln



Irena Sendler morreu...sabes quem era?


Irena Sendler

Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu há pouco tempo.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.

Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazistas relativamente aos judeus (sendo alemã!)

Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua caminhoneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da caminhoneta um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.

Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.

Por fim os nazistas apanharam-na torturaram-na e quebraram-lhe as pernas.Foi mandada para a execução mas um soldado ajudou a fugir.

Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.

No ano passado foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns dispositivos sobre o Aquecimento Global.

Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!

Estou transportando o meu grão de areia, reenviando esta mensagem. Espero que faças o mesmo.

Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. Este e-mail está a se reenviando como uma cadeia comemorativa, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos e 1.900 sacerdotes católicos que foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados com os povos da Alemanha e Rússia olhando para o outro lado.
Agora, mais do que nunca, com o Iraque, Irã e outros proclamando que O Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça.

sábado, 13 de novembro de 2010

Caetano, o que é vaca profana?


Após ver uma comunidade no orkut sobre a música de Caetano veloso, resolvir postar aqui, um análise dessa música.

Vaca Profana- Caetano Veloso

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada Inscrevo, assim, minhas palavras Na voz de uma mulher sagrada Vaca profana, põe teus cornos Pra fora e acima da manada Vaca profana, põe teus cornos Pra fora e acima da man... Ê, ê, ê, ê, ê, Dona das divinas tetas Derrama o leite bom na minha cara E o leite mau na cara dos caretas Segue a "movida Madrileña" Também te mata Barcelona Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks Picassos movem-se por Londres Bahia, onipresentemente Rio e belíssimo horizonte Bahia, onipresentemente Rio e belíssimo horiz... Ê, ê, ê, ê, ê, Vaca de divinas tetas La leche buena toda en mi garganta La mala leche para los "puretas" Quero que pinte um amor Bethânia Stevie Wonder, andaluz Como o que tive em Tel Aviv Perto do mar, longe da cruz Mas em composição cubista Meu mundo Thelonius Monk`s blues Mas em composição cubista Meu mundo Thelonius Monk`s... Ê, ê, ê, ê, ê, Vaca das divinas tetas Teu bom só para o oco, minha falta E o resto inunde as almas dos caretas Sou tímido e espalhafatoso Torre traçada por Gaudi São Paulo é como o mundo todo No mundo, um grande amor perdi Caretas de Paris e New York Sem mágoas, estamos aí Caretas de Paris e New York Sem mágoas estamos a... Ê, ê, ê, ê, ê, Dona das divinas tetas Quero teu leite todo em minha alma Nada de leite mau para os caretas Mas eu também sei ser careta De perto, ninguém é normal Às vezes, segue em linha reta A vida, que é "meu bem, meu mal" No mais, as "ramblas" do planeta "Orchta de chufa, si us plau" No mais, as "ramblas" do planeta "Orchta de chufa, si us... Ê, ê, ê, ê, ê, Deusa de assombrosas tetas Gotas de leite bom na minha cara Chuva do mesmo bom sobre os caretas...

Esta canção mostra a progressão do movimento contra-cultural Movida Madrilena, iniciado na Espanha no final dos anos 70, com seu clímax em 1981. A Arte é aqui representada pela figura da vaca, provavelmente numa analogia à figura da deusa Hathor (egípcia), conhecida como a grande doadora da vida, cujo aspecto mais venerado é na forma da deusa do amor, representada por uma mulher com chifres liriformes ornamentando sua cabeça. Essa deusa foi transformada pelo povo egípcio na encarnação dos prazeres mundanos, pela incapacidade dos mesmos em compreender o mistério contido no seu simbolismo; o seu culto se tornou então um culto profano. “Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada” - A seriedade e a contrição são consideradas pelo autor, mas o prazer é ainda mais importante. ”Inscrevo, assim, minhas palavras, na voz de uma mulher sagrada” - Então ele faz da arte, sua porta voz. “Vaca profana, põe teus cornos, pra fora e acima da manada, vaca profana, põe teus cornos pra fora...” - A arte, então, passa de sagrada a profana, num movimento discordante do padrão. “Ê, ê, ê, ê, ê, dona das divinas tetas, derrama o leite bom na minha cara, e o leite mau na cara dos caretas” - O autor compara a arte à uma divindade que “nutre” a humanidade e quer conhecer este movimento que fervilha, transborda, naquele momento, no mundo. Os demais, que não se interessam ou criticam negativamente, podem continuar “bebendo” (vivendo) de uma arte de “menor”qualidade."

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Como se alimenta o brasileiro

No Brasil, observa-se que os tipos de câncer que se relacionam aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por câncer. O perfil de consumo de alimentos que contêm fatores de proteção está abaixo do recomendado em diversas regiões do país. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, que em 2010 entrevistou 54.367 pessoas, o padrão alimentar no país mudou para pior.

Apesar de consumir mais frutas e verduras, o brasileiro continua a comer muita carne gordurosa (1 em cada 3 entrevistados) e tem optado por alimentos práticos, como comidas semiprontas, que são menos nutritivas. A ingestão de fibras também é baixa, onde se observa coincidentemente, uma significativa freqüência de câncer de cólon e reto. O feijão, alimento rico em ferro e fibras, que tradicionalmente fazia o famoso par com o arroz, perdeu espaço na mesa dos brasileiros. Para agravar o quadro, eles também tem se exercitado menos. Em 2006, 71,9% da população revelava comer o grão ao menos cinco vezes na semana. Em 2010, a média caiu para 65,8%. No estado do Rio, a média de consumo do feijão ainda é alta: 71,7%. A queda na média nacional pode ser atribuída às mudanças na dinâmica da família brasileira, que tem tido cada vez menos tempo de preparar comida em casa e o feijão tem preparo demorado. O consumo de gorduras é mais elevado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ocorrem as maiores incidências de câncer de mama no país.

Outro dado negativo é que os refrigerantes e sucos artificiais - que têm alta concentração de açúcar - têm ganhado espaço na preferência dos brasileiros. Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez por semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo quase que diário aumentou 13,4% em um ano. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a popularidade dos refrigerantes é ainda maior: 42,1% tomam refrigerantes quase todos os dias.

...

O consumo de alimentos ricos em fatores de proteção, tais como frutas, verduras, legumes e cereais, tem aumentado, mas ainda é baixo. Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, 30,4% da população com mais de 18 anos comem frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. Entre os entrevistados, 18,9% disseram consumir cinco porções diárias (cerca de 400 gramas) desses alimentos, mais do que o dobro do percentual registrado em 2006.


fonte: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=18

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dicas de como morrer bem


Como diz o velho ditado “para morrer basta estar vivo e não ser o Niemeyer”. Yes, gentchi! Empacotar é um fato inexorável. Mas, ainda assim, poucos, pouquíssimos, quase nenhum de vocês, para não dizer NINGUÉM, se prepara de forma decente para a hora H. E não é porque não se tem mais nada a perder que se deve perder a elegância, néam?

Por isto escolhi as cinco principais gafes que vocês cometem no momento crucial, as cinco mancadas que mais me incomodam, para que vocês evitem cometê-las em nosso primeiro e último encontro. Evitar estes cinco micos-monsters não fará de você uma pessoa melhor, claro, mas já é um boooom começo. Ou um bom final. Tanto faz.

GAFE 1: NÃO ACEITAR QUE EMPACOTOU

Entendam de uma vez por todas: não adianta espernear, chorar, berrar, ou dizer que fez acordo com Deus e o mundo. Se EU apareci é game over, ok?

— Morte, eu não vou!

— Saco, começou…

— Tô falando sério, você não vai me levar. Eu não morri.

— Cara, eu tenho horário.

— Não interessa. Eu quero voltar pro meu corpo agora!

— Então corre porque acabaram de botar naquele forno crematório ali…

GAFE 2: TENTAR ME EXPLICAR O QUE ACONTECEU

Eu sei, eu vi a cagada que você fez ou que fizeram com você, não precisa me contar tudo de novo. Isto é soooo boring!

— Eu posso explicar, Morte: eu vinha a uns oitenta por hora.

— Cento e vinte.

— Aí o carro da frente deu sinal para direita.

— Não, não deu.

— Então vi que dava pra fazer a ultrapassagem.

— Não, não dava.

— E fui. Só não vi a moto que vinha no sentido contrário.

— Era uma carreta com um farol queimado.

GAFE 3: FAZER VISITINHAS ANTES DE PARTIR.

Isso até suporto se for rápido. Mas quando neguinho vem com papo de “queria ver minha sogra pela última vez” , COME ON! Dá pra sacar que é bullshit!

— Morte, antes de ir eu quero ver uma pessoa.

— Merda. Quem?

— Meu chefe. Quero dizer umas verdades na cara dele.

— Você sabe que ele não vai te ouvir, não sabe?

— Sei. Mas eu preciso dizer. Não posso ir sem antes mandá-lo pra puta que o pariu.

— Mas por que você não fez isso em vida?

— Porque não me deixaram. Ele é um doente terminal de câncer e está nas últimas.

— Ah tá, se é assim, então vamos. Quem sabe economizo uma viagem.

GAFE 4: QUERER LEVAR ALGUMA COISA PARA O ALÉM

Definitivamente: vocês não precisam e nem podem levar NADA. Imaginem que o além é como ir para o Rio Water Planet só que sem sunga.

— Dona Morte, eu posso levar meu Iphone?

— Não.

— Meu computador?

— Não.

— Posso levar minha coleção de DVDs?

— Não. Desista. No além a tecnologia humana não serve pra nada.

— Então por que você pegou meu Nintendo DS e escondeu na sua túnica?

— ISSO É PROBLEMA MEU!

GAFE 5: FILOSOFAR SOBRE O SENTIDO DA VIDA

Isso realmente DÁ NO SACO. O cara descobre a porra do sentido da vida dele só no último minuto e vem buzinando na minha orelha? Sentido da vida my ass!

— Da vida nada se leva.

— Arrã.

— Eu deveria ter escolhido melhor meus amigos.

— Arrã.

— O amor é tudo na vida. Agora eu percebi.

— Arrã.

— Eu não deveria ter cometido tantos crimes, nem roubado, nem prejudicado tanto o próximo.

— Escute, senador, o papo tá bom, mas a gente já tá parado na porta do inferno faz quinze minutos. Por favor, ENTRE LOGO!

Extraido do: http://diariodafoice.com/

Amizade minha!

Hoje, 5 de novembro de 2010, aniversário de um grande amigo meu. Tentei entender o motivo de alegria, pensei em seu aniversário ou seus amigos que prestigiaram tal data, mas depois de um tempo e em efeito de bebidas, percebi que minha alegria é pela vida, e a evolução de um garoto há homem, e da sua alegria, amizade sincera e às vezes estressante.

Sinceramente, eu estou nervoso por perceber que os anos passaram e a vida está indo embora a cada dia, mas se cada dia for receado dessas pessoas que eu amo e que me fazem tão alegre acho que a vida não será tão frustrante como sentia anos atrás. A vida não é fácil ou segura, cada momento pode ser o ultimo, mas com meus amigos eu posso ser alguém diferente dos meus sonhos, e simples como uma tarde de feriado.

No fim de tudo só terei minhas lembranças e meus frutos. Só serei vivo enquanto meu amor reinar no coração de um amigo.

Vinicius Amaral

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Viva as mulheres! Viva justiça!


A Dilma conseguiu! Não, nós conseguimos o povo brasileiro conseguiu eleger a primeira presidenta do Brasil. Isso para mim é absolutamente bom.

Quando soube da vitória da Dilma, dediquei esse a minha mãe e a todas as mulheres do Brasil, todos que lutaram (Maria Quitéria, Joana, Olga, Joana Angélica...) e tantas outras guerreiras que estão espalhadas pelo mundo e pelo Brasil.

Não adianta fazer fofoca, falar mal, e espalhar boatos sem verdades. A Justiça sempre vence se não terrestre, divina estar aí. È a lei da vida!

Publico essa pequena carta hoje, por que dia 1° de novembro é dia de todos os santos, e esses fizeram justiça. Viva a vida!

Obrigado.

Juntos somos muitos!


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Reportagem do site Bahia Notícia

http://www.bahianoticias.com.br/noticias/noticia/2010/11/01/77511,dilma-%E2%80%98sim-a-mulher-pode%E2%80%99.html


DILMA: 'Sim,a mulher pode'

Eleita a primeira mulher presidente do país, Dilma Vana Rousseff, 62, é mineira e radicada no Rio Grande do Sul. Com uma trajetória política feita por momentos marcantes e polêmicos, a petista que é considerada “a mãe do PAC” agora terá desafios e projetos muito maiores para administrar. Em seu primeiro pronunciamento como presidente, Dilma agradeceu aos brasileiros e disse que vai honrar a confiança nela depositada. “Recebi dos brasileiros a missão mais importante da minha vida. Pela primeira vez uma mulher presidirá o país. Faço aqui o meu primeiro compromisso. Honrar as mulheres brasileiras para que esse fato hoje iniciado possa se repetir. Quero que os pais de todas as meninas olhem para elas e digam: sim, a mulher pode”, afirma. Mesmo tendo vencido a eleição apoiada nos braços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a petista agora faz parte da história e terá que cumprir com seus compromissos, como disse em discurso agora a pouco. “Eu vou zelar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa e religiosa. Zelarei enfim pela nossa constituição. Dever maior da presidência da república” ressaltou. Dilma reforçou o compromisso com a erradicação da miséria e a criação de oportunidades e falou que “essa ambiciosa meta não será só do governo, mas um chamado às empresas, imprensa e igrejas. Não podemos descansar enquanto houver fome, desigualdade e drogas espalhadas pelo país”. Ao mencionar o trabalho que os espera (Dilma presidente e Michel Temer vice-presidente), a vencedora do pleito ressaltou que reconhece o “dever de dar continuidade ao desenvolvimento, principalmente o econômico, começado pelo presidente Lula”. A presidente eleita agradeceu emocionada o apoio de Lula durante toda a campanha e disse que aprendeu muito nos anos de convivência com o líder. “A tarefa de sucedê-lo é difícil, mas tentarei honrá-la”. Os cidadãos esperam que realmente Dilma cumpra com sua palavra e faça jus à promessa de continuidade feita em campanha.

sábado, 30 de outubro de 2010

Amanhã é eleição!

Amanhã acaba mais uma batalha, acaba uma batalha de uma guerra que dura séculos, desde que o homem tenta subir em cima de outro.

Amanhã acaba a eleição 2010 nessa eleição tem algo diferente, uma mulher com reais chances de ser eleita- Dilma Rousseff – Essa eleição foi muito dura para ela, foi chamada de golpista, matadora de criançinhas, atéia, sapatona e tantas outras coisas.

Mais o fato é que a Dilma entrará para história, mesmo não sendo eleita.

Amanhã milhões de brasileiro irão à urna, irão decidir o seu futuro. Eu irei por volta das 13:00 horas votar como um cidadão que não desprezará o esforço feito por muitos no passado na época da ditadura militar.

E o melhor de tudo eu contribuirei para a história, estarei nela mesma, elegendo e ajudando a eleger a primeira mulher presidente do Brasil!

E amanhã vamos dar a resposta na urna, acabar com essas farsas que a impressa golpista e os partidos miseráveis tentam colocar na cabeça do eleitor.

Eu voto na Dilma.

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O Piano de Dilma Rousseff

Rita Santana


Os textos que circulam na internet contra Dilma são preconceituosos e colaboram apenas para a formação de uma sociedade machista e excludente. É tão preconceituoso quanto o discurso de Serra. A imagem da mulher ainda está associada a uma pessoa que tem necessariamente que ser doce, pudica e pacata. Nós, mulheres, somos sempre assim? Vocês se encaixam nos padrões de feminilidade divulgados pela mídia? Todas vocês são Cléo Pires, Luana Piovani ou Larissa Riquelme, a musa da Copa? Acho improvável! Eu estou bem longe desse padrão. Durante o primeiro debate do segundo turno, Serra continuou agredindo com ironias e sarcasmos a candidata e ela reagiu a isso, não como uma musa indefesa, mas como uma mulher com a sua história e o seu currículo poderia, e deveria, reagir: com garra, força, determinação e com fatos, dados, que nós mulheres sabemos empregar muito bem quando nos sentimos ameaçadas e insultadas. Infelizmente, os homens e muitas mulheres - o que é ainda mais triste - não suportam encontrar, no gênero feminino, pessoas combativas, como se todas tivessem que ser cândidas e suaves sempre. Um colega, que vota nela inclusive, perguntou se ela estava de TPM no debate! Recurso, aliás, bastante utilizado pelos homens para desqualificarem nossos discursos, reações, protestos, nossas palavras ríspidas e nossas insatisfações. Como se mulheres fossem destituídas de rispidez, fala, protesto e indignação. Não somos! Temos fala, senhores e senhoras!

Existem mulheres guerreiras desde sempre no Brasil, podemos citar Maria Quitéria, que até hoje é honrada pelo exército brasileiro pelo seu heroísmo durante a guerra pela Independência da Bahia e do Brasil, e que só foi ao campo de batalha porque se vestiu de homem e fugiu de casa. Após ser reconhecida pelos seus méritos de soldado, teve que pedir ao Imperador que intercedesse junto ao seu pai para que ele a aceitasse de volta. Nunca foi fácil ser uma mulher de luta, de combate. Não acredito que a moça tivesse gestos delicados e jeitinho de fragilidade que nos foram impostos por uma sociedade absolutamente machista; nem que fosse o tipo que se conformasse em ficar fazendo fofoca e bordados enquanto o destino do País estava sendo decidido. Dilma também teve que assumir uma postura durante a ditadura militar, e o fez quando foi absolutamente necessário e isso é motivo de orgulho para todas nós. Era preciso, como agora, interferir, lutar e utilizar armas que colaborassem para o crescimento e a liberdade do Brasil, não para o seu retrocesso histórico. A minha única arma é a minha escrita e meu voto.

Um dos textos que circulam pela rede parece defender que a mulher deve ter um único marido, nunca se separar, nunca se aventurar em outros amores, nunca lutar por ideais políticos. E todo esse discurso, após tantos anos de conquistas, tantas lutas, tantas mulheres que morreram tentando provar o contrário?! Provar que somos capazes e que temos que quebrar as algemas sociais para sermos felizes, lutando pelos nossos ideais. Afinal, a felicidade não é uma receitinha pronta para simplesmente ser seguida, sem questionamento. A felicidade, às vezes, leitoras de Clarice Lispector, é Clandestina! A felicidade às vezes tem que ser guerrilheira, combativa, inusitada, variada, diversificada, inesperada, múltipla, herética e errática!

O texto, que me moveu a escrever, é muito antiquado e feito para destruir a imagem da candidata Dilma. Entretanto, o que ele destrói é a imagem de Serra e dos seus comparsas que reproduzem o pensamento de que cabe à mulher um papel silencioso e submisso diante da história do País e da sua própria história. O período de ditadura, que vivemos no passado, não foi fácil e muitos ficaram aqui para lutar contra a opressão, de forma armada sim, porque era a única forma de combater aquele regime, ele sim, assassino. Corpos de guerrilheiros, artistas, jovens, escritores, pais e mães de família, militantes, ainda hoje são procurados por seus familiares. Viúvas ainda sonham em enterrar os seus mortos.

Mulheres como Luíza Mahim, que participou da revolta dos Malês, aqui na Bahia, cujo filho Luís Gama, abolicionista, foi vendido ainda pequeno como escravo pelo próprio pai, certamente não são o tipo de mulher que a sociedade e algumas mulheres aceitem facilmente. Mas foram elas que fizeram a história. Foram mulheres que enfrentaram os olhares de repúdio e desprezo, os ataques e as calúnias, que construíram o País. Maria Filipa, negra, na ilha de Itaparica lutando capoeira e pensando de forma estratégica, conseguiu incendiar embarcações portuguesas e, assim, ajudar na nossa libertação. Mulheres assim são insubordinadas, não se acomodam com a classe ou a casa confortável dos seus pais ou maridos, ignorando o resto da população miserável e oprimida. Mulheres assim participam de movimentos sociais, lutam, amam, separam, brigam, estudam, divorciam, amancebam, assumem postos de poder, escrevem, e atuam para a transformação social. Algumas delas assumem a Presidência da República e não podem ser jogadas na fogueira do preconceito por causa disso! Estão ateando fogo e jogando pedra em Dilma, cujo pecado é disputar a Presidência da República. A Inquisição já acabou! Quem são os inquisidores de hoje e que armas eles utilizam? A internet?

Se não fosse a ousadia de uma Chiquinha Gonzaga, mulata, bastarda, não teríamos a nossa primeira maestrina capaz de compor músicas tão lindas, afinal, a sociedade do século XIX não aceitava mulher tocando o piano (vejam como o piano é velho e simbólico dentro da educação de mulheres no País), senão, dentro de casa e para o seu marido e os seus convidados. Ou seja, o piano era restrito ao espaço privado. O piano de Chiquinha queria mais! O piano de Chiquinha gritava para sair de dentro de casa e tomar as ruas, os bares, os boêmios, os negros excluídos da época. Porque a música que a interessava estava entre eles, produzida por negros. Isso era inaceitável para aquela sociedade. Mas a música de Chiquinha exigia mais! E ela enfrentou e combateu a todos para seguir o seu talento, o seu desejo!

Dilma também não aceitou administrar, apenas, a economia doméstica, como tantas de nós fazemos, e somos, até, elogiadas pelos homens por isso. Dilma regeu a administração do País inteiro ao lado do Presidente Lula, que preteriu a muitos nomes tradicionais do Partido, contrariou a muitos, inclusive a mim, no princípio, ao eleger como sua candidata, a sua preferida, Dilma. Certamente não o fez pelos seus encantos pessoais, nem pela sua beleza. Foi a sua competência que desviou o Presidente dos nomes esperados e sinalizados pelo Partido. Não deve ter sido fácil fazer essa opção, mas ele o fez com coragem e enfrentamento.

Voltando a Chiquinha, era necessário ir pros botecos, tocar com os negros e abandonar os seus filhos, pois não poderia criá-los sem a estabilidade do lar e do marido, sem a aprovação social da época. Assim é Dilma! Ela não poderia ser tão competente, aos olhos do maior Presidente da história brasileira, o nosso cara, e limitar a sua atuação ao anonimato da burocracia do governo! Era pouco e o presidente Lula, nordestino, sensível, homem surpreendente e encantador, percebeu isso. Ela era digna e capaz de ocupar o posto mais alto do País, não pela sua beleza ou simpatia, mas pela sua capacidade de gerir, administrar áreas comumente ocupadas por homens. Ministra das Minas e Energias, liderando a Petrobrás, tomando conta da Casa Civil. Mas o povo e, particularmente, algumas mulheres queriam que ela fosse simpática, agradável, doce. Lembro que o nosso povo votou em Collor porque muitos (e muitas) o consideravam bonito!!! Lula teve que suar e o povo que sofrer muito até colocá-lo no poder, e ele iniciar uma revolução democrática no País. As elites, que são muitas, não se conformam porque a população pobre, negra está ocupando, também, espaços sempre destinados às classes sociais elevadas. O povo está nas Universidades.

Com esse tipo de e-mail, estamos colaborando para o preconceito contra a mulher, contra a liberdade, contra a inteligência como um atributo feminino. São mães que estão negando às suas filhas a possibilidade de termos uma mulher, indicada por Lula, para dar continuidade às transformações sociais que as atingem diretamente. Suas filhas também serão mais respeitadas a partir de agora. Nós mulheres seremos mais ouvidas a partir de agora. Nossos discursos serão menos desprezados. Somos responsáveis pelos e-mails que enviamos e as ideias que eles divulgam. Leio os textos e vejo um exercício de manipulação dos fatos; vejo o retorno de um tempo tão longínquo (hoje eu já tenho 41 anos), onde propalavam que os vermelhos comunistas comiam criancinhas. Agora dona Mônica Serra diz que Dilma é assassina de criancinhas. Parece que essa gente subestima a NOSSA inteligência, a nossa capacidade de discernimento, a nossa capacidade crítica.

Sobre o aborto! Dilma hoje já prometeu não enviar leis para serem aprovadas nesse sentido. O que é perfeitamente compreensível nesse País tão cheio de pudores religiosos, onde os evangélicos ocupam de forma acintosa tantos canais de televisão, fazendo uma campanha acirrada contra a nossa candidata, que parece encarnar para os fanáticos a própria Eva ou Lilith. Quantas mulheres conhecemos que praticaram uma vez na vida algum aborto? Conhecem alguma mulher pobre que morreu em mãos de açougueiros ou tomando remédios por conta própria? Eu conheço! E sei que ela não teria morrido se o meu País não fosse tão hipócrita e ela pudesse ter sido atendida por um médico de verdade, com assistência legal. Afinal, a sua “escolha” de não ser mãe, naquele momento, já era tão difícil, tão dolorosa e triste, pessoal e intransferível. A sua morte abalou a todos daquela comunidade. Um abalo silencioso e proibido. Que ela tivesse, pelo menos, assistência médica; que não fosse tratada como bandida, que não morresse. São mulheres cidadãs e trabalhadoras que muitas vezes recorrem a essa – única - saída. Quantas casadas, decentes, honradas, amadas, vocês conhecem que também já o fizeram correndo risco de morte? O risco deve continuar? Até quando? Em nome de quê? O aborto legalizado ainda é um tabu nesse País de mulheres tão santas, católicas e evangélicas. País de não pecadoras! É hipocrisia considerar que não é preciso discutir a necessidade de adotarmos medidas de saúde pública para conter o número imenso de mulheres pobres, negras e brancas, mortas por praticarem aborto, pois as ricas têm assistência médica. É simples!

Essa certamente não é a plataforma de governo de Dilma! Os seus planos para o País são estruturais e ideológicos e vão além. Mas o aborto é o alvo principal dos seus inimigos. Dilma não legalizará o aborto, fiquem tranquilos! Ela já o prometeu! Está prometido aos evangélicos! Aqui ninguém o pratica e ninguém morre assim, certamente os números alarmantes apontados pelas pesquisas são uma ilusão, um engano. Além do mais, somos muito católicos e evangélicos para pensarmos nessa possibilidade. Vejam que as pedras do velho testamento continuam sendo atiradas contra a Mulher. Jesus veio e enfrentou o apedrejamento, lembrem-se! A adúltera não foi morta, pois alguém tinha que atirar a primeira pedra. Alguém que nunca tivesse pecado! A mulher foi salva por Jesus Cristo, no entanto, o que é essa guerra conta Dilma senão um apedrejamento simbólico, tão selvagem contra o bíblico?! A sede da nossa sociedade de punir a mulher que desobedece às leis sociais, que peca por contrariar o desejo masculino, por invadir um espaço social, público, destinado aos homens. Peca por disputar o poder com um homem que fala em nome da moral e dos bons costumes, com o visível propósito de atingir a candidata, como se ela e a sua biografia não fossem dignas. Serra com a sua moral falaciosa! Um homem agressivo, acintoso, que utiliza do cinismo o tempo inteiro para atrair aqueles que também se querem virtuosos e virtuosas. Hipócritas! Gente com a sanha do apedrejamento, que deve ser um desejo coletivo inconsciente capaz de mobilizar as massas para grandes espetáculos mórbidos, como acontecia durante a Inquisição. Vamos ver as bruxas morrerem na fogueira! E se possível vamos apedrejá-las também!

A mulher que sai da toca e afirma-se como um ser pensante e participativo, que pega em armas como Maria Quitéria, como Anita Garibaldi, como Olga Benario. Elas são mulheres muito próximas de Dilma, parceiras, companheiras (aquelas que dividem o pão) e certamente jamais teriam como amante, marido, namorado, companheiro um tipo como José Serra. Certamente - e aqui vai o meu delírio utópico/poético - essas mulheres amavam homens intensos e verdadeiros, atraentes, sedutores e, principalmente, sonhadores. Homens que respeitavam seus discursos e acreditavam no direito da mulher de ser Grande. Certamente seriam homens que se orgulham do poder feminino e da sua capacidade de gerir empresas, como Dilma, e de gerar filhos, também como Dilma! Jamais um forjado Zé Serra capaz de divulgar esse tipo de pensamento sobre sua adversária política e de tratá-la de forma tão grosseira e deselegante. Um casca grossa!

Parece que a sociedade acredita na mulher apenas administrando a sua cozinha. Mas Dilma, Chiquinha, Luíza, Anita, Olga, Filipa, Quitéria, Joana Angélica, quiseram bem mais. O texto que me moveu faz alusão ao piano que Dilma tinha na casa dos pais. Moça de família! O piano foi a arma de Chiquinha Gonzaga, mas o piano de Dilma não respondia às necessidades de transformação social que ela aspirava. Por isso, certamente, Dilma, foi fazer política e suas armas foram e são outras. O falo da fala, como diria Maria Rita Kell.

Um beijo, companheiras históricas de tantas batalhas que ainda temos que enfrentar! E que a fama de que nós, mulheres, não somos solidárias umas com as outras não seja consolidada nesse momento histórico do País. Sejamos solidárias com a competência de Dilma e com a sua qualificação para dirigir o nosso País. Em anexo, uma música de Chiquinha Gonzaga para abrandar e encantar nossas almas. Lua Branca é a música.