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domingo, 30 de janeiro de 2011

Ainda exitem homens como esse?



"O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte."
Mhatma gandhi 1869 - 1948



Em 2 de Outubro de 1869, nascia Mohandas Karamchand Gandhi, em Kathiawar, estado de Porbunder, na Índia, líder pacifista da humanidade e principal personalidade da independência desse país. Mais novo dos três filhos de Karamchand Gandhi (Kaba Gandhi) e sua esposa Putlibai. Kaba Gandhi foi primeiro ministro nos estados de Porbunder, Rajkot e Vankaner.
Em 1883, com apenas treze anos, contraiu matrimônio com a Sra. Kasturbai Makanji, que também contava com treze anos a época.
Formou-se em direito em Londres e, em 1891, voltou para a Índia a fim de praticar a advocacia.
Dois anos depois, vai para a África do Sul, também colônia britânica, onde inicia o movimento pacifista, lutando pelos direitos dos hindus.
Volta à Índia em 1914 e difunde seu movimento, cujo método principal é a resistência passiva. Nega colaboração com o domínio britânico e prega a não violência como forma de luta.
Em 1922, organiza uma greve contra o aumento de impostos, na qual uma multidão queima um posto policial.
Detido, declara-se culpado e é condenado à seis anos, mas sai da prisão em 1924.
Em 1930, lidera marcha para o mar, quando milhares de pessoas andam mais de 320 quilômetros a pé, para protestar contra os impostos sobre o sal.

O domínio colonial britânico durou mais de duzentos anos. Os indianos eram considerados cidadãos de segunda classe.
Em 1930, Gandhi viaja a Londres para pedir que a Inglaterra conceda independência à Índia. Lá, visita bairros operários.
"Sei que guardarei para sempre, em meu coração, a lembrança da acolhida que recebi do povo pobre de East London", diz Gandhi.
Ao retornar à Índia, é recebido em triunfo por milhares de pessoas, ainda que nada de muito significativo tenha resultado da viagem.
Gandhi anuncia à multidão que pretende continuar em sua campanha pela desobediência civil, para obrigar a Inglaterra a dar a independência à Índia. Os britânicos, outra vez, o mandam para a prisão.
Em 1942 o governo inglês manda para Nova Delhi Sir Stafford Cripps, com a missão de negociar com Gandhi. As propostas que Sir Cripps traz são inaceitáveis para Gandhi, que deseja independência total. Gandhi retoma a campanha pela desobediência civil. Desta vez é preso e condenado a dois anos de cadeia.
Quando Lord Louis Mountbatten torna-se vice-rei, aproxima-se de Gandhi e nasce, entre Gandhi, Lord e Lady Mountbatten, uma grande amizade.
Em 1947, é proclamada a independência da Índia, mas no verão desse mesmo ano, a hostilidade entre hindus e muçulmanos atinge o auge do fanatismo. Nas ruas há milhares de cadáveres. Os muçulmanos reivindicam um Estado independente, o Paquistão. Gandhi tenta restabelecer a paz e evitar a luta entre hindus e muçulmanos, aceitando a divisão do país e dando início a uma décima-quinta greve de fome. O sacrifício pessoal de Gandhi e sua firmeza conseguem o que nem os políticos nem o exército conseguiram: a Índia conquista sua independência e é criado o Estado muçulmano do Paquistão. A divisão atrai para ele o ódio dos nacioinalistas hindus.
Gandhi morre em 30 de janeiro de 1948, assassinado por um hindu. Estava com 78 anos. Lord e Lady Mountbatten, ao lado de um milhão de indianos, comparecem ao funeral. Parte de suas cinzas são lançadas às águas sagradas do Rio Jumna.
Em janeiro de 1996, parte das cinzas de Mahatma Gandhi é lançada no Rio Ganges, na cidade de Allahabad, local sagrado para os hinduístas. A cerimônia acontece no 49º aniversário de morte do líder pacifista.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Poemas

Soneto a menina dos olhos verde


I wanna hold your hand

The beatles


Um dia alguém já lhe deu flores?

flores de qual quer tipo,

sem as quis você imaginava receber?


Alguém já lhe mandou uma carta?

escrita com caneta perfumada,

ou uma pena colorida de pavão?



Não sei por que isso acontece agora,

nessa última hora eu pensar em você.

Carência de sentimento talvez, esquecido

que no intimo ainda vive escondido.


Uma ‘certa’ música me faz lembrar

que amar é como uma Jóia lapidada

fundida com uma dor que tanto arde

de uma ferida incurável chamada Jade.


29/01/2011


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No mar III


Às vezes ouço o vento passar

feito a morte quando chega

sorrateiramente, só na frieza,

a espera de um inocente encontrar.


Suavemente encosta na alma

rouba-te as esperanças

te levando ao um poço obscuro.


O amor é um sacrifício pesado

para os mortais.


Por que é assim?

28/01/2011


De vítima a ignorante

Malu Fontes, jornalista e professora
Malu Fontes


Quando uma pesquisa revela que a população de Salvador não tem como hábito ou prioridade frequentar espetáculos culturais, certamente a primeira tentação dos bem intencionados defensores da alta cultura é adjetivar o universo dos pesquisados da maneira mais óbvia: um bando de ignorantes.
Entretanto, adjetivar negativamente uma população por seu desinteresse pelos chamados produtos da média e alta cultura equivale ao mesmo equívoco cometido quando se atribui à mocinha vestida numa microssaia a responsabilidade pelo estupro do qual foi vítima.

Uma população que não gosta de teatro, museus, artes plásticas e cinema, entre outras modalidades, nada mais é senão o produto mastigado, engolido e deglutido pelos poderes públicos que sempre lhe destinaram uma educação de péssima qualidade e também das elites econômicas que preferem ter ao seu dispor espécimes humanas de cordeiros dóceis, incapazes de refletir sobre o modo como são tratados. Sim, pois não dá para dissociar a capacidade e a habilidade de entregar-se à fruição proporcionada pela arte sem expandir a consciência de si e sem desenvolver posturas críticas diante das mazelas sociais de que se é vítima.

O fato é que a mesma elite que torce o nariz para a turba ignara que não vai ao teatro é a mesma que se regozija por as coisas serem assim, pois, se o comportamento cultural fosse diferente, isso produziria efeitos críticos devastadores nos modos desse público confrontar-se com a própria elite. A arte revolve e estimula a reflexão. Ou alguém acredita que é coincidência o fato de esta cidade investir tanto e tão somente em práticas culturais que mobilizam apenas os baixos instintos?

Já as autoridades públicas que reagem com declarações paternalistas são ainda mais perversas, pois a indiferença da população às artes é tão somente efeito colateral de uma educação de eficácia mínima que essas mesmas autoridades lhe negaram a vida inteira.

Além de ser injusto e abaixo do vulgar responsabilizar e tachar de ignorante quem não vai ao teatro, ao cinema, ao museu, vale lembrar outros detalhes tão grandes deste estado de coisas. A quase totalidade dos museus não abre aos domingos e feriados e, durante a semana, a maioria trabalha ou vai à escola (sum, para continuar sendo tábula rasa). E a que horas são encenados a maioria dos espetáculos de teatro? E onde ficam localizadas as salas de espetáculos senão em bairros centrais? Se os trens do subúrbio não funcionam nem mesmo para levar as pessoas para o trabalho e trazê-las de volta, se o poder público não consegue, em 12 anos, colocar um metrô para funcionar, como querem que as pessoas voltem para casa à meia noite, após assistir uma peça de teatro? Para o Muquifest, as empresas de transporte coletivo destinam um esquema especial de ônibus...


Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicacão e Cultura Contemporâneas e professora da Faculdade de Comunicação da UFBA.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O barbeiro

Certo dia um florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo. Após o corte perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:

- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O florista ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista.

Mais tarde no mesmo dia veio um padeiro para cortar o cabelo. Após o corte, ao pagar, o barbeiro disse:

- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O padeiro ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de
agradecimento do padeiro.

Naquele terceiro dia veio um deputado para um corte de cabelo.
Novamente, ao pedir para pagar, o barbeiro disse:

- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O deputado ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de deputados fazendo fila para cortar cabelo.

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Essa história ilustra bem a grande diferença entre os cidadãos do nosso país e os políticos que o administram.

POLÍTICOS E FRALDAS DEVEM SER TROCADOS COM FREQÜÊNCIA PELO MESMO MOTIVO!

Vídeo de sexo para mulheres casadas

video

sábado, 22 de janeiro de 2011

Elisa Lucinda - Um poema ao amor


Amanhecimento


De tanta noite que dormi contigo
no sono acordado dos amores
de tudo que desembocamos em amanhecimento
a aurora acabou por virar processo.
Mesmo agora
quando nossos poentes se acumulam
quando nossos destinos se torturam
no acaso ocaso das escolhas
as ternas folhas roçam
a dura parede.
nossa sede se esconde
atrás do tronco da árvore
e geme muda de modo a
só nós ouvirmos.
Vai assim seguindo o desfile das tentativas de nãos
o pio de todas as asneiras
todas as besteiras se acumulam em vão ao pé da montanha
para um dia partirem em revoada.
Ainda que nos anoiteça
tem manhã nessa invernada
Violões, canções, invenções de alvorada...
Ninguém repara,
nossa noite está acostumada.

Elisa Lucinda
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SÓ DE SACANAGEM

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

Elisa Lucinda

Um novo texto... Para um novo ano.


Texto de Aninha Franco publicado pela revista Muito de 9 de janeiro de 2011.

Um 2011 terno para todos

Que 2011 chegue terno para acerto de contas, penduradas desde 1549. Que iniba arrogâncias e exponha neurônios.

Que recolha umbigos e mostre corações. Que multiplique a coragem dos humilhados para reagir ao autoritarismo de cada dia, porque ninguém vence na vida dizendo sim quando a resposta é não. Que traga respeito aos sacerdotes dos deuses que descem, dos deuses que falam, dos deuses que encostam para aplacar a dor existência, que maior não há.

Que cubra o primeiro ano da gestão Dilma com o “aroma da antiga inocência”, o aroma Bashô. Que assegure secretários honestos e eficientes ao governador e a primeira-dama, Fátima Mendonça, porque a Bahia perdeu, em 2010, espaços conquistados a duras penas. Que dê olhos, olfato e idéias soteropolitanas ao prefeito João Henrique, que orçou para 2011, com aprovação da câmara, 50 milhões de reais para publicidade e 500 mil reais para cultura numa cidade que vive do turismo.

Que fluo-floresca os senadores Walter, João e Lídice para que eles dividam o céu do Senado com a Bahia, que está apagada, e que Lídice seja a senadora da Educação e da Cultura como pretende. Que pragmatize os gestores do Pelourinho e dê condições de trabalho ao subprefeito, Leal, para que o bairro seja o que é o umbigo da cidade.

Que dê estalos de Vieira, de Ruy Barbosa às desembargadoras do poder judiciário para que elas intimidem a corrupção e o relaxamento. Que cubra de luz o ministério público e dê fulgor aos poetas, aos historiadores, aos intérpretes e aos jornalistas. Que conserve o muito da Muito e esclareça aos avarentos que dinheiro é estrume. Que elucide os miseráveis de que a violência contra seus iguais é a violência contra si mesmo. Que acenda a inteligência, a independência e a honestidade da Câmara de Vereadores e da Assembléia Legislativa com interruptores que devem existir que devem estar em algum lugar. Que apague as reuniões de todas as agendas, as de papel e as eletrônicas. E que, apesar de todas as dificuldades que envolve os pedidos, eles façam pelos que, apesar de tudo, continuam acreditando na bondade humana como Anne, como eu.««

Aninha Franco é jornalista, escritora, dramaturga, direitora do Theatro XVIII e colunista da revista Muito.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Òtimos papeis hingiênicos

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Combinações- Parte 1

domingo, 16 de janeiro de 2011

Tempo Mágico

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.

Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação”, onde "tiramos fatos a limpo". Detesto fazer
acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena.

RUBEM ALVES

Doe seu jornal. Não custa nada, mais vale muito.


»» ATENÇÃO GALERA DE SALVADOR »ۛ»

O seu jornal vai pro lixo?

Então chegou a hora de virar essa página. A grande é que agora você apoiar a coleta seletiva realizada pelo Projeto Ação reciclar, da ONG Paciência Viva.

È fácil você lê o seu jornal hoje e manhã doa em qualquer posto de coleta que estão espalhados por SALVADOR.


Anote os lugares de coleta:


Igrejas da arquidiocese:

N. Sª da Assunção- Caminho das Árvores.

N. Sª da Esperança- no Stiep

N. Sª da Vitória- no largo da Vitória

N. Sª de Santana- Rio Vermelho

N. Sª da Conceição da Lapa- Av. Joana Angélica

Igreja católica Deus menino- Brotas


Além dos Prédios comerciais:

Salvador Trade Center

Tomé de Souza

Suarez Andrade


Doe nos Shoppings:

Shopping Salvador

Shopping Piedade


Galerinha Rubro-Negra Doe no Estádio Barradão em dias de Jogos do Vitória.

Galera do Bahia doe no Teatro Vila Velha no Campo Grande.


Acesse o site: WWW.pacenciaviva.com.br


Obs. Acima de 500 kg de jornal, ligue para (71) 7813-7878

A natureza agradece!!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tempo como serviço, não como espetáculo




Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.

Laurindo Lalo Leal Filho

Todas as redes comerciais de televisão no Brasil têm as suas moças do tempo. São herdeiras, em São Paulo, do Narciso Vernizzi, o primeiro “homem do tempo” da rádio Jovem Pan.

Elas surgem do nada, entre uma notícia e outra, aparecem no canto da tela e caminham para o centro, mostrando mais que o tempo as suas belas curvas.

Em casa, o telespectador vê atrás das moças as indicações do clima e da temperatura em todo o Brasil. Com algumas variações, esse tipo de informação é universal. O canal mundial da BBC mostra o tempo em várias partes do mundo, sem as moças.

São informações úteis, mas limitadas. Ajudam a sair de guarda-chuva no dia seguinte ou, aos viajantes, a escolha do que colocar na mala. Não sei se informações tão superficiais e genéricas contribuem para decisões mais importantes, como dos agricultores, por exemplo.

Apesar do avanço da internet, o rádio e a televisão ainda são os mais eficientes e abrangentes serviços públicos de informação. Não há outro meio que consiga falar de forma tão rápida para milhões de pessoas ao mesmo tempo.



Em momentos críticos tornam-se imprescindíveis. Pena que, por aqui, são pouco usados nesse tipo de prestação de serviços.

No caso de tragédias, como as deste início de ano, ao invés de moças desfilando à frente de ilustrações artísticas, deveríamos ter as programações interrompidas.

Em seu lugar seriam formadas cadeias nacionais ou locais de rádio e TV, antes das catástrofes, dando orientações seguras para a população. Sem pânico, mas com precisão e firmeza. E não generalizando com frases do tipo “chove no litoral do nordeste”.

Trata-se de um de trabalho que deve ser o mais localizado possível, com o envolvimento articulado dos serviços de meteorologia, da defesa civil e do jornalismo, na produção das informações.

Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.

Ou, no caso, de São Paulo que vias deveriam ser evitadas na iminência dos temporais, já que não há segredo nessa cidade sobre onde se localizam os eternos pontos de alagamento.

Para obter mais eficiência, esse serviço deveria ter seu foco nas informações locais. Dai a importância da regionalização das programações de rádio e TV, tão combatida pelos concessionários do setor.

No entanto são elas que darão às emissoras regionais e locais experiência, tanto na produção como na técnica, para enfrentar com competência situações extraordinárias.

Nem todos se salvariam, é verdade. Mas, com certeza, os danos seriam menores.

Furacões violentos que varrem o Caribe todos os anos causam grandes estragos materiais em Cuba, mas pouquíssimas vítimas.

Simplesmente porque as autoridades estabelecem planos precisos para a retirada da população das áreas criticas e a orientam através do rádio e da TV, com razoável antecedência, sobre as medidas que devem ser tomadas.

Muitos navios não foram à pique na costa brasileira graças ao programa radiofônico “A Voz do Brasil”. A seção “Aviso aos navegantes” informava todos os dias, minuciosamente, as condições das bóias de luz, sinalizadoras dos perigos naturais existentes no mar.

Era o rádio atuando como serviço público numa época de recursos eletrônicos muito limitados, se comparada aos hoje existentes.

Satélites transmitem informações meteorológicas com alto grau de precisão e as redes de rádio e TV cobrem todo o território nacional.

Falta apenas articular esses dois serviços com planos nacionais e locais de prevenção à catástrofes naturais.

No caso das enchentes no sudeste e centro-oeste, trata-se de problema datado, de dezembro a março. Há todo o resto do ano para o trabalho de planejamento e articulação.

Quem toma a iniciativa?

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).